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Causos

Noites de verão

Ele disse que a acompanharia até em casa. Não era longe, algumas quadras e a noite estava realmente agradável. Quente mas não insuportável. Iluminada mas não tanto. Com um leve cheiro de chuva mas não de temporal.
Fazia horas que quando os dois se olhavam faíscas saiam. Conversavam, brincavam e trocavam vários elogios. Ela estudava lá. Ele trabalhava. Agora chegava o final daquele ciclo em sua vida. Estava fazendo o vestibular e o cursinho faria parte do passado dela. Era aquela a última chance de se verem.
Ele estava indeciso. Deveria ou não? Afinal era sua aluna. Mesmo que nunca mais desse aula pra ela, sempre teria sido sua aluna. Mas estava tão linda. Um vestido curtinho, todo colorido, de alcinha. Dava pra ver bem suas curvas. Os cabelos amarrados em um coque totalmente despenteado que salientava sua nunca.
Foram caminhando. Conversando sobre as coisas mais diferentes, sem se quer se tocarem. Até que chegou a escadaria. Um beco do caminho. Estreito e escuro que parecia ter sido colocado ali propositalmente. Enquanto iam descendo as escadas, ela escorregou. Ele segurou. Pronto o mundo parou.
Da mão estendida segurando ela, o abraço. Do abraço apertado, o beijo. Do beijo quente e molhado, a chuva. Sim, aquela chuvinha de verão. Que mal molha, mas refresca. Que te dá uma sensação de alegria.
Foi assim que se amaram. Pela primeira e única vez. Na escadaria do beco, há luz da lua e com a chuva lavando suas almas. Nunca mais se viram. Nunca mais souberam notícias. E nunca esqueceram aquela noite de verão.
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Bom fim de semana! Tô indo viajar! Só não podia deixar essa ideia fugir!
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Por falar em ideia: ela perdeu ou não o acento na reforma “burrográfica”?

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