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Prosas

Sinais de amizade

“Lu, sabe a que conclusão eu cheguei? Que o granulado é mais viajado que nós. Já morou no Rio, em Porto Alegre, São Borja e agora em Córdoba…”

Parece que conversa de louco, certo? Mas eu explico. O ano passado eu fazia negrinhos (jeito que o gaúcho chama brigadeiro) pro meu, na época, namorado vender pros amigos no alojamento (eles faziam um curso onde eram internos).

Quando o curso dele acabou saímos do Rio e fomos pra Porto Alegre. E todo o granulado que sobrou foi junto. Ficamos dois meses em Porto com o granulado e depois nos mudamos pra São Borja trazendo o bem dito.

Acontece que minha amiguinha que está fazendo intercâmbio em Córdoba, na Argentina, veio passar uns dias com a gente e comentou que lá o granulado era muito ruim. Na hora lembrei do meu e dei pra ela levar.

Assim, depois que ela voltou pra Córdoba, chegou a conclusão de que o granulado era mais viajado que nós. Ou melhor, mais viajado que eu. Porque ela foi em todos as minhas casas, as mesmas que o granulado morou.

Portanto, a partir de agora faremos saquinhos com o granulado que irão a todos os lugares que iremos conhecer um dia como símbolo da nossa amizade. Bobagem? Que nada. Tantas pessoas tem talismãs por aí, por que não podemos ter o granulado como nosso?

Tirando toda a brincadeira, isso me fez refletir sobre sinais de amizade. Sou uma pessoa de muitos conhecidos. Porém poucos amigos. Amigos mesmo, no sentido do dicionário. Aqueles a quem se confia seus maiores medos, suas maiores angustias. Aqueles que você pode contar a qualquer hora do dia ou da noite.

Nos momentos mais difíceis é que realmente vemos quem são nossos amigos. Quem faz a diferença em nossa vida. Quem vai ficar pra sempre apesar das distâncias, das barreiras e da falta de contato.

Meus amigos nem sempre sabem tudo que está acontecendo no meu mundinho. Mas isso não importa, porque a hora que encontra-los, depois de dez minutos de atualizações resumidas, parece que não deixamos de nos ver por um segundo.

Amizade é assim. Podem haver desavenças, opiniões contraditórias, vontade de mandar longe, mas eles seguem fiéis. E os que não seguem, bem esses nunca foram seus amigos. Talvez estivessem no caminho, mas por algum motivo pegaram um entroncamento errado.

Tem também aqueles que se afastam da estrada e voltam na próxima curva. O importante vai ser prestar atenção no próximo desvio. Se ele seguir junto aí sim, pode-se dizer que é amigo.

Meus amigos sabem que o são e pronto. Isso basta. Eu sei que sou amiga deles e pronto. Isso me basta. Não precisa disputar a amizade com um próximo conhecido do caminho. Sempre tem lugar pra todo mundo.

E pra essa minha amiguinha especial fica a mensagem: O granulado sempre será nosso símbolo!

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2 comments
  1. Carlinha

    Lu, amei o seu texto.Pra variar, né..que fã seria eu, se não adorasse tudo..hauhuahuaa.
    Mas tenho um pedido para lhe fazer: que nessa sua vida nômade, smepre tenha um quartinho de hospedes para mim, porque podem passar dias, meses, anos…mas o dia de um alegre reencontro sempre chega. As vezes nem demora tanto assim, né?Mas isso porque está perto de você, Paulo e Duda, me alegra, me reanima, são pessoas assim que eu denomino amigos.Também tenho poucos, mas sinceros…ns com símbolos, outros não…uns com tatuagem, outros com granulado…alguns com olhar, outros com uma palavra, mas guardo todos. E você tem um lugar cativo na lista VIP…E amigos também dizem EU TE AMO

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