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Sou marciana, e daí?

Eu confesso. Sou marciana. Nasci em outro planeta e vim muito pequena pra Terra. Como uma forma de experiência me mandaram pro Brasil. Já que todos meus irmãos E.T.s sempre vão pros Estados Unidos e ficam presos na área 51. Então como forma de me deixar próxima dos maninhos, embora longe fisicamente, me implantaram numa filha gaúcha, na capital cujo o DDD também é 51.

Me adaptei bem a maioria das questões humanas e brasileiras. Aprendi a amar a minha terra, tomar chimarrão, ter orgulho da Revolução Farroupilha e ter uma pontinha de intenção separatista. Isso como gaúcha.

Como brasileira aprendi que pra tudo tem um jeitinho, que futebol, samba, cerveja e bunda são paixões nacionais. Descobri que batalhar, correr atrás de sonhos, acordar cedo e ser vencedor são características desse povo que sofre por não saber fazer boas escolhas políticas. Porque não existe paisagens mais belas que as dessa terra e nem povo mais hospitaleiro e simpático. É meus irmãozinhos que estão em outros cantos do mundo dizem que tenho sorte. E acho que tenho mesmo.

A única coisa que não consigo me adaptar e que continuo me sentindo uma extra terrestre é com a questão das celebridades. Nesse ponto continuo vivendo em Marte. Nunca sei quem são os famosos da vez, as novas bundas e peitos da TV e muito menos os novos hits do momento. Sou capaz de passar na rua por celebridades antigas e não reconhecer. Imagina as novas.

Já até aconteceu. Estava eu indo cortar as jubas. Na época minha cabeleireira trabalhava num hotel famosinho de Porto Alegre. Tinha um certo alvoroço na frente, mas nem dei bola. Entrei no hotel e fui caminhando por salão. Nisso passa 4 meninos e uma menina, todos sorrindo. Ela me deu oi e eu retribuí sem saber de onde os conhecia. Cinco minutos depois soube que eu tinha cumprimentado a Luana Piovanni. E os quatro meninos nada mais eram do que Thierry Figueira, Marcelo Faria, Pedro Vasconcelos e um outro que nunca lembro o nome. Estavam lá em turnê com a peça dos três mosqueteiros.

Outra vez na praia. No Rio. Tô bem sentada e do meu lado uma dessas bundas famosas. Não me pergunta qual que não tenho nem ideia. No dia até fiquei sabendo, mas depois esqueci de novo. E no calçadão? Vários famosos desfilando e eu só me dou conta quando depois vejo alguém correr e pedir autógrafo. Porque até então eu estou concentrada tentando pensar de onde eu conheço.

Agora, imagina hoje, que a cada dia aparece uma nova celebridade instantânea. Não tem como saber quem são, o que fazem e de onde vem. Elas estão lá. Aparecem e desaparecem e acredito que sejam insignificantes demais pra arquivar em meu HD. Tenho muitas outras informações mais relevantes. Muitos fatos marcantes, muitas histórias vividas e pessoas que realmente valem a pena ser arquivadas.

Não sou uma total alienada do mundo das celebridades instantâneas. Elas passam pelos meus olhos. Mas se alguém me perguntar amanhã não tenho a menor noção de quem sejam. Olho, dou risada e deleto. Amanhã vai ter uma nova mesmo…

Sou marciana sim. E daí? Com tanta coisa pra me preocupar o que me interessa a quantidade de silicone de uma, a bunda de outra ou a “melhor banda de todos os tempos da última semana” ?
Os Titãs acertaram em cheio naquela música. E fazendo uma homenagem a eles termino com essa música que é uma ótima crítica a sociedade brasileira.

A melhor banda dos últimos tempos da última semana (Titãs)

Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.

O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota,
é bem menos que nós

Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

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