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Prosas

O fim do papel higiênico e outras conspirações universais

É triste. Mas o papel higiênico sempre acaba na hora errada. Quer dizer, errada pra nós porque para ele é salvo pelo congo. Imagina a felicidade que ele fica quando chega o fim do rolo naquele momento desagradável. A nós, seres humanos que o utilizamos, sobra a raiva e a humilhação de mais uma vez ele ter acabado. Quando ainda, por sorte, tem outro rolo no armário e o armário é perto da privada a humilhação não é tanta.

Mas e se temos que gritar para algum membro da casa traze-los até nós? E quando a porta está trancada e temos que levantar do magnifico trono pra destrancar? Ou a pior de todas: Quando acaba não só o rolo mas o pacote e o mercado mais próximo é a dez quarteirões? Assim sim. Isso é uma grande humilhação e uma conspiração dos rolos de papéis higiênicos contra nós, simples seres mortais.

Existem outras conspirações universais: as margarinas e manteigas, por exemplo, se uniram com os pães e bolachas e combinaram que todas as vezes, sem exceção que forem derrubados, devem cair com a parte gordurosa pra baixo. Só para encherem nosso delicioso lanche de sujeirinhas e poeirinhas do chão e assim não serem devoradas.

E o leite? Por que quando se fica encarando ele não derrama e é só virar o olhar por dois segundos e pimba! Sujou o fogão inteiro. E se demorar mais um segundo, ainda, demora horas pra limpar pois ele tem uma capacidade incrível de adesão ao fogão. Ambos se uniram contra as donas de casa e empregadas domésticas para dar mais trabalho.

Não acredita que isso seja conspiração? Pense bem. Você acha que as calçadas não combinam para que sempre que você passar, linda e maravilhosa, se sentindo o máximo, numa sapato maravilhoso, você torça o pé ou escorregue? É claro que elas combinaram isso. E pior: Tem umas calçadas que até parecem estar debochando de você.

Entre as conspirações universais também tem a rebeldia dos chuveiros elétricos. Eles insistem em queimar no dia mais frio do ano, sempre perto de eventos importantes, e quando já se está atrasada. Justo aquele dia, que você levantou com o pé esquerdo, o relógio não despertou, você não consegue pensar em uma roupa e está muito frio. Isso é sim uma conspiração.

Mas o pior de tudo é se acontecer num só dia todas essas tragédias: o chuveiro queima, o pão cai com a manteiga pra baixo, o leite derrama, acaba o papel higiênico, não só rolo mas o da casa inteira e por fim, você sai a rua, tentando fingir que nada aconteceu e leva um grande tombo da calçada assassina.

Isso é sim uma conspiração universal. As coisas se rebelam contra nós. E aí da gente que não faça muito carinho nelas. Aí a revolta pode ser fatal. Por isso que sempre tenho um rolo de papel escondido, não tomo leite quente, evito o pão com a manteiga, tomo banho frio e ando de tênis em calçadas estranhas. As conspirações estão em toda parte. E as paranóias também.

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