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Prosas

Uma luz no fim do túnel

Começo a enxergar um pequeno foco de luz no fim do túnel. Pelo menos no Rio Grande do Sul. A mobilização em frente a casa da governadora foi o máximo. Sim. Isso mesmo. Considero como o primeiro rufar de tambores, os toques de acorde que poderão fazer o despertar de toda uma população do sono alienante que vivem. Pode ser e espero que esse seja o primeiro passo para uma mudança. Nada de reformas e sim mudanças. É o que todos nós precisamos.
Não sou, nem nunca fui, mesmo que alguns digam o contrário, anarquista. Muito menos a favor de greves. Principalmente quando era professora e eu tinha que recuperar os dias depois. Claro. Todos tem direito a ter uma categoria, mobiliza-la, fazer greve e exigir seus direitos. Esta na constituição. Porém todas as greves que presenciei no magistério gaúcho, enquanto fazia parte do quadro, foram burras. Greves que faziam dos professores reféns e que inibiam seus direito,s uma vez que depois a categoria tinha que recuperar.
Ao ler as machetes dos jornais gaúchos hoje e perceber o envolvimento do Cpers e de jornalistas e ver como a governadora ficou furiosa, juro. Por um minuto vibrei. E digo mais, se eu fosse sua vizinha processava ela pela perturbação da ordem. Afinal, governador é governador 24 horas por dia. Aceitou a responsabilidade no momento que se candidatou. Foi eleita. E agora que aguenta o barulho que ela mesma provocou. Para isso e, em função de uma sociedade democrática de direito, ela ganha muito bem. E tem uma casa ofertada pelo Estado dentro do Palácio Piratini. Sede do governo e de onde ela nunca deveria sair enquanto governadora.
Políticos que assumem cargos de alta importância são representantes do povo em tempo integral. Ela comanda o Estado e como poderá fazer isso se termina o expediente e ela quer ter uma vida normal. Ir para casa cuidar dos netos. Os netos. Por que os netos dela tem mais direito que todas as outras crianças do Rio Grande do Sul? Por que eles tem que ir a aula enquanto milhares outras não podem por condições precárias das escolas?
“Abram alas que minhas crianças vão passar” Não deveriam ser todas as crianças do Estado, crianças dela? Não é ela o grande maestro da orquestra Rio Grandense? “ Vocês não são professores. Torturam crianças”. Ela só pensou nisso agora porque mexeu com a família dela. Desculpe, senhora governadora, em quem eu votei, confesso, e muito me decepcionei mas a única torturadora de crianças aqui é a senhora. Que quer acabar com o Plano de carreira e fazer o professor ser o lixo da escória da sociedade. Tirar sua estabilidade, aplicar provas e nem ao menos dar condições para que ele se qualifique, se especialize e pior se motive.
Se seus netos ficaram nervosos e choraram saiba que a culpa é sua e não dos manifestantes. E que milhares de crianças ficam nervosas e choram todos os dias por sua culpa. Por não terem escolas decentes, por não terem o que comer, por não terem condições de aprender. Seus netos não são melhores do que qualquer outra criança do nosso Estado. E seus netos deveriam estar em segundo plano diante do compromisso que a Sra Yeda Crusius assumiu com nossa sociedade. Compromisso esse, que vale ressaltar, tem duração de 4 anos, 365 dias por ano e 24 horas por dia.
A minha outra categoria, que vale lembrar deixou de ser uma categoria depois da decisão do STF para se tornar um aglomerado de pessoas sem profissão mas com muita paixão, entrou na dança. Os jornalistas apanharam, foram empurrados e tiveram que aguentar o tranco da BM (Brigada Militar que equivale a Polícia Militar, aqui no RS). Tudo para poder exercer o direito de qualquer cidadão da liberdade de expressão e poder informar a todos nós o que aconteceu. Obvio que os policiais só agem assim porque alguém manda. E nesse caso quem mandou foi a chefe do nosso estado.
Quer dizer, depois de resolver que não vai assumir o compromisso que aceitou, concorrendo ao governo do Estado, de nos comandar 24 horas por dia durante quatro anos interruptos. Depois de decidir que é uma mulher normal e que quando acaba o expediente é apenas a Yeda. Depois de resolver acabar com a pouca coisa que resta ao magistério gaúcho. Depois de ser acusada de vários escândalos financeiros. Depois de defender somente os netos dela e esquecer todas as outras crianças do nosso Estado. Depois de tudo isso essa mulher se mostra mais fria e calculista mandam a Brigada Militar usar de força para evitar que as informações parem na imprensa. O que mais afinal, Sra governadora, podemos esperar?
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Saí do marasmo das minhas férias. Precisava dar esse recado. A Secretária volta a trabalhar na segunda e na outra semana volto a estar todos os dias por aqui…

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