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Causos

Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis… Não tão Imaculada

Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis. Sem brincadeira esse é meu nome. Não tenho bem certeza o que passou na cabeça da minha mãe para fazer isso comigo, muito menos na do meu pai para concordar e pior ainda, na do escrivão para permitir tamanha maldade com uma criança. Não tem uma lei que proíbe de registrar as crianças com nomes esdrúxulos ? Se não tem deveria ter.

Marjore eu gosto. Não tem nada haver comigo, porque parece ser uma pessoa forte, guerreira, segura e bem sucedida em todos os aspectos da vida. Mas eu gosto. Dos Santos reis é sobrenome não tinha o que fazer a não ser nascer em outra família. Agora alguém me explica o que Fernanda Imaculada está fazendo aí no meio? Que diabos exatamente significam eles perdidos entre Marjore e dos Santos?

A senhora Regina, minha mãe, diga-se de passagem, me contou uma vez que ela queria Fernanda, meu pai Marjore e a minha vó Imaculada. Como eles não chegavam num consenso resolveram por os três sendo que a ordem era pela idade de cada autor. Teria ficado Imaculada Marjore Fernanda. Mas na hora de registrar o seu Gilberto, meu pai, achou que a ordem deveria ser hierárquica para criança. Ou seja, eu primeiro devo respeitar ele, depois mamãe e por último a vovó. Ainda bem que só tomei consciência disso depois de adulta. Imagina a confusão que seria na cabeça de uma criança.

Na escola era aquele deboche só… Na infância porque Majore não era comum. Na pré adolescência porque Marjore Fernanda não combinava e na adolescência por causa do Imaculada. Nem preciso explicar. Imaculada gerava muitas risadas entre os garotos na época. Não que alguém não fosse mais imaculada na minha turma, mas só de estar ali no meio do meu nome era um delírio juvenil.

Enfim é isso que diz na minha identidade. Sou aeromoça, tenho 26 anos e sou solteira. Capricorniana com a lua em câncer e o ascendente em virgem. O que faz de mim uma mistura de pessoa teimosa, insegura, chorona e perfeccionista. Morro de medo de voar, de baratas e da solteirice. De medos eu não posso falar. Gosto de sorvete de melancia, do meu gato Frederico e de acordar sem despertador.

Sou solteira porque quero, eu acho, pelo menos. Tem vários carinhas por aí querendo sair comigo. Só que nenhum é o príncipe dos meus sonhos. E os que poderiam ser o meu amado não me dão bola. Há uma certa discrepância nisso. Sabe aquela história do João que gostava da Maria que gostava do Pedro? É mais ou menos assim que tem funcionado comigo. Bianca diz que é uma questão de tempo. Que tem um homem especial reservado para mim no universo. Sabrina diz que o problema é que sou muito perfeccionista e que os homens são todos iguais. E a Rosana diz que eu não consigo estabelecer intimidade com os homens quando estou envolvida emocionalmente. Pra mim, nenhuma delas tem razão. Mas me conforta acreditar nas teorias da Bianca.

Eu já tive namorados. Claro, nenhum romance muito longo. Já chorei bastante por alguns e já dispensei uns quantos. Sou normal. Os que terminaram comigo cada um por um motivo, mas no fim sempre vinham com aquela desculpa esfarrapada de que o problema não era comigo e sim com eles que eram complicados e não mereciam uma pessoa tão bacana como eu. Claro que usei essa desculpa também. Acho que é a forma de dizer, sutilmente, que não se quer nada com a outra pessoa, mas sem destruir sua auto estima.

Pensando nisso me senti um pouco cínica e ao mesmo tempo com a auto estima destruída. Sim. Por que quando usei essa desculpa achava o cara um babaca, um chato, um metido, um escroto, ou sei lá qual outro defeito. O que será que os caras que me deram esse fora, realmente, pensaram sobre mim? Acho que quando chegar em casa vou ver de quais ainda tenho telefone e ligar para saber qual era o meu defeito. Não posso passar o resto da vida pensando que existem pessoas por aí que me odeiam. Principalmente caras com quem tive alguma coisa.

Não tem muita logica nisso. Eu sair ligando para todo ex que me deu um fora para saber o que ele realmente pensa de mim. Também não me importa. Preciso parar com essa mania de ficar pensando o que os outros pensam de mim e me preocupar com isso. Cada um é livre, graças a Deus, para pensar o que quiser do outro e se cada pensamento meu pudesse ser ouvido por outras pessoas, nossa… Não posso nem pensar nisso. Seria uma lista de coisas tão horríveis que aconteceriam em minha vida.

Eu não teria meu emprego maravilhoso, porque todos saberiam que tenho medo de voar. Eu nunca teria dado o primeiro beijo porque todos saberiam que tenho um certo nojinho dos germes e bactérias que vem da língua do outro. É claro, a delicia de um beijo supera o nojo, mas isso não faz com que segundos antes do momento eu deixe de pensar nas porcarias que estão lá.

Falando em porcarias, não posso me esquecer de limpar o banheiro do Sr. Fred. Aliás, acho que está na hora de uma boa faxina na casa e um banho no gato. Posso aproveitar e dar uma faxina geral em mim. Claro o que está aparente está sempre em ordem, mas e o ques está escondido? Nunca se sabe quando vou tropeçar no príncipe encantado perdido por aí. E se pintar algum convite melhor estar preparada do que pensando porque não me depilei.

Essa história de se concentrar em coisas da nossa vida ajuda mesmo. Vou comprar mais dessas revistas. Quem sabe elas possam lucidar outras áreas da minha vida e resolver todos os meus problemas. Uma poderia me dizer como achar o meu homem. Outra como se livrar das manias, dos quilos a mais, de gente chata, a fazer sorvete de melancia em casa, a matar baratas. Gostei disso. Vou procurar mais revistas dessas no free shopping. Aterrizamos!

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Pronto tá ai a atualização prometida! Já tinha escrito um outro conto com essa personagem.

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