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Prosas

Demasiadamente Nostalgica

Houve um tempo, quando eu ainda era solteira, que não havia um final de semana que eu não ia no Barbazul. Mas eu não ia um dia do final de semana eu ia de quinta a sábado. Ia com uma amiga, com outra ou até mesmo sozinha, porque não importava. Chegava lá e sempre tinha uma turma de conhecidos. Alguns que nunca deixaram de ser amigos de bar e outros que viraram amigos para sempre.
Chegava no Barba, como se chega na própria casa. Cumprimentando do porteiro ao gerente. Chamando todos pelo nome. Nada de filas, um lugarsinho especial e reservado na pista de dança de onde se via tudo que acontecia por lá. Sabia o código para chamar a atenção do dj, pedia musicas e muitas vezes enchia o saco dele para ligar o ventilador.
Era divertido. Vi de tudo lá. Conheci pessoas de várias nacionalidades, de vários estados , dos lugares mais estranhos do estado. Vivenciei histórias incríveis de amor, ódio, amizade e traição. Situações inusitadas, cómicas e dramáticas. Dancei muito, ri muito, tomei vários porres e já chorei também por lá. Muitas das melhores histórias da minha vida tem com cenário principal o Barba. Com certeza não daria um livro e sim uma triologia.
Lá eu conheci amigas. Lá eu conheci um namoradinho holandês, que era uma delicia, mas que a gente não se entendia. Nos comunicávamos por mímica e mails. Os mails graças a ferramenta de tradução do google. Não durou muito. Ele queria me levar para a Holanda e eu queria continuar dançando no Barba.
Foi no Barba, também, que conheci meu marido. Numa noite qualquer. Numa festa qualquer. Com uma musica qualquer. Continuei dançando no Barba, mas com menos frequência. Agora cada vez que viemos a Porto (estou de férias por aqui) vamos lá.
No sábado fizemos isso. Fomos para o Barba com a Tati. Uma das personagens principais de todas as aventuras vividas lá. Estava vazio. O porteiro era outro. O gerente não estava e os barmans e garçons são todos novos. Lá pelas tantas outro amigo, daqueles tempos, chegou.
O Barba ainda está lá. Não é mais o mesmo. As pessoas que trabalham lá não são mais as mesmas. O pessoal que frequenta também mudou. Mas ele ainda está lá. Para numa noite qualquer a gente ir, se divertir, dançar, beber demais e dar risada a noite toda. Lembrar de tantas coisas boas, de tantas histórias e, no final, sair de lá achando, que mesmo vazio, valeu muito a pena.
Mesmo que hoje em dia seja mais difícil curar a ressaca. Mesmo que eu não tenha mais pique para ir duas noites seguidas, mesmo que eu seja casada, mesmo que eu não encontre toda a turma por lá. Mesmo que a quantidade de sangue hoje, seja maior do que a de álcool. Não interessa. O Barba sempre será o Barba. Sempre será a nossa casa e o cenário de várias novelas das nossas vidas.
Só falta uma coisa hoje em dia no Barbazul. Um banquinho da saudades. Para o pessoal da antiga descansar quando as pernas não aguentam mais. Afinal de contas a maioria de nós já virou balzaquiano e não tem mais o mesmo pique… Mandarei a sugestão para o departamento de atendimento ao cliente. Será que eu ainda conheço alguém que trabalhe lá?

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