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Primeiro amor…

Que o mundo é pequeno e dá voltas todo mundo sabe. Mas ela confirmou essa teoria naquele dia. O namorado novo da melhor amiga, ali, na frente dela, falando que o primo era o primeiro amor dela.

– Bah, eu tive um colega na escola, na quarta série, com o teu sobrenome, o Lucas…

– Tu estudou no Sagrado, né?

– É…

– É o meu primo. Mora do lado da minha casa.

Foi o primeiro amor dela. Na quarta série. A primeira vez que ela sentiu dor de barriga por um menino. O primeiro fora. A primeira frustração e as primeiras lágrimas de desilusão. Sim, com dez anos. Ela gostava dele e ele gostava da outra colega. Ela namorava ele, mas ele óbvio não sabia. E ele namorava a outra colega que, logicamente, também não sabia. Tudo assim. Lindo e platônico. Bem como são as paixões infantis.

Acabaram marcando um churrasco na casa do namorado da melhor amiga para ela encontrar o ex coleguinha. Iriam dar risada daquela coincidência. Eram adultos agora. Maduros. Fazia dez anos e eles já sabiam o que era o amor de verdade. Com a sabedoria dos vinte anos iria ser legal o reencontro. Além do mais, ela havia tido várias experiências amorosas, e ele, provavelmente, também. Estava solteira, mas não tinha como se apaixonar de novo por ele. Então por que estava tão nervosa?

Levou horas no banho. Depois mais horas para escolher a roupa certa. Um churrasco entre amigos. Poucos amigos. Não era uma festa. Tirou o pretinho básico, colocou uma calça de brim e um moletom. Tirou o moletom e colocou uma blusa com decote ousado. Trocou o tênis por um sapato de salto. Tirou o salto e colocou uma sandália. Maquiou-se. Prendeu os cabelos. Soltou.

Chegou ao churrasco com as pernas tremendo. Ele ainda não havia chegado, o que de certa maneira foi um conforto. Afinal, teria tempo para beber alguma coisa e se soltar um pouco. Enquanto conversava com sua amiga nem percebeu a chegada dele. Ou viu aquele cara entrando e nem se deu conta que poderia ser ele.

Todo sujo de lama, fedendo a bosta de cavalo e com umas roupas surradas. O namorado da amiga a chamou. Meio sem graça, chegou perto do indigente, e percebeu que era seu primeiro amor. Ele deu um sorriso largo, daqueles gostosos e descontraídos e disse que ia tomar um banho para poder dar um abraço nela. “Melhor assim”, ela pensou.

Depois de meia hora ele voltou. Lindo. Um príncipe. Os anos só tinham feito bem a ele. Um homem alto, com um porte atlético, cabelos dourados, lisos e olhos azuis da cor do mar. Nada parecido com o indigente que tinha aparecido antes e muito melhor do que a lembrança da infância. E o abraço fez as pernas dela bambearem igual vara verde.

Tudo o que ele falava encantava ela. Estava estudando veterinária e criava cavalos. Tinha se atrasado em função do parto de uma égua. Contou algumas aventuras e peripécias da vida e falaram horas sobre os tempos de escola. No fim do churrasco trocaram telefones e combinaram um passeio à fazenda no fim de semana. E ela chegou em casa sentindo a mesma dor de barriga da quarta série.

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Tô começando bem 2010 tentando manter a promessa de escrever, pelo menos, três vezes por semana, por aqui.

Esse conto é antigo. Usei em alguns concursos mas ele não foi premiado. Então agora já posso postar.

Um excelente 2010!!!

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