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Prosas

Ai, ai… Onde está o meu direito de reclamar?

Estava participando de um desafio. O sexto desafio de escritores Literatura de Câmara. Um núcleo da Câmara de Deputados. O desafio funciona assim: a organização sugere o tema, você tem até uma determinada data para enviar o seu texto e depois os jurados analizam, fazem comentários e dão notas.


Na primeira etapa fiz o texto “Mudanças e Adaptações: uma questão cultural”. Na hora de ver os comentários percebi que havia um comentário que não era pertinente ao meu texto.  Reclamei para a organização e foi consertado.


Na segunda etapa escrevi o texto “Espelho, espelho meu, existe alguém mais fútil do que eu?”. Na hora de olhar meu comentários mais uma vez estavam errados. Só que dessa vez eram três comentários que não tinham nada haver com o meu texto. Como eu sei? Oras, falavam de elementos que não existiam no texto. Mais uma vez reclamei. A organização me respondeu que estava tudo ok. Olhei na página e nada. Continuava errado. Um comentário em especial falava de hifens e travessões. Elementos esses que não tem em nunhuma linha do meu texto.


A organização foi para um fórum de discussão falar que estava chateada das reclamações e  dos tons. Respondi no mesmo tópico que estava chateada pelos erros. Porque eu tinha colocado uma grande expectativa no Desafio e principalmente porque, para mim, estava muito complicado escrever por encomenda.


Fui humilhada, ofendida e atacada por inúmeros participantes do fórum porque estava sendo grosseira com a organização. Principalmente com um dos organizadores em especial que tinha acabado de fazer uma cirurgia e mesmo assim  continuava mantendo o Desafio e o conduzindo para dar chance de milhares de pessoas se aprimorarem na arte da escrita. Nossa! Como sou desumana, o cara se opera e eu não tenho a menor sensilibilidade. Em vez de ficar quietinha e achar o máximo os erros e as acusações que ele me fazia sem fundamento eu fui reclamar.


Não respondi mais no tópico. Não mandei meu próximo trabalho que estava pronto. Desisti do desafio.  Fiquei muito chocada com as coisas que foram escritas ali. Com os julgamentos que fizeram de mim. Com o direito que sentiram de me atacar e me dizer o que eu deveria fazer. Disseram que eu não deveria nunca mais escrever. Que deveria trabalhar com maquinas, porque não sei lidar com pessoas. Disseram que eu não era humana pois estava encomodando o organizador que tinha acabado de passar por uma cirurgia de redução de estômago. 


Lá na tal página onde estão publicados os textos, o comentário segue errado e ainda tem uma ressalva de que nenhum dos jurados quer mudar nada. O comentário fala de hífens que não são travessões. Se alguém achar eles no texto, por favor, me mostre que devo estar ficando maluca.


Ainda estou muito chateada com a situação. Ainda não digeri todos os insultos e mais ainda o erro que segue lá. Se o cara sabia que ia fazer uma cirurgia, porque não adiou o Desafio? Se ele não pode se encomodar porque reduziu o estômago? Porque não fica quieto na dele e não se mete a fazer algo que gera espectativa nas pessoas?


Não sabia que eu não podia reclamar. Não sabia que hoje quando se reclama se é insultada de tal forma. E por pessoas que se dizem escritores. Quem mesmo deveria trabalhar com máquinas? Eu ou eles que julgam sem olhar os dois lados? Quem não deve nunca mais escrever? Eu ou eles que estão de olhos fechados, vendados como cavalos conduzidos em carroças que não podem olhar para os lados? de certa forma percebi uma alienação geral, achando o cara lá o máximo e tudo que ele faz perfeito. Ou melhor um bando de pessoas sem popinião própria, que se dizem alguma coisa, puxando o saco de um outro cara babaca, que reduziu o estômago (devia estar muito grande pela ingestão de seu próprio mel já que ele é perfeito e não lida com pessoas como eu), se acha o máximo e ainda se intutula um “touro bravo” quando encomodado por reclamações a respeito de algo que ele faz com tanto amor.


Me chamaram de mimada sem me conhecer ou saber da minha história de vida. Quem são eles que apontam o dedo, caluniam e difamam alguém? Escritores, formadores de opinião, que sem nenhum escrupulo julgam. 


Posso ser tudo que me falaram. Posso ser mimada, posso não ter talento, posso até, quem sabe, dever trabalhar só com máquinas e nunca mais escrever. Mas sei quem sou. Onde estou, porque escrevo e tenho responsabilidade ao deferir qualquer palavra, pois sei da minha responsabilidade social como formadora de opinião. 


No fim de tudo ainda quero encontrar os hífens que não são travessões em meu texto. E também desejar, ao senhor organizador do estômago reduzido que a partir de agora tenha cuidado na ingestão de seu próprio mel, e que cuide da sua saúde, afinal touro tem bolas mas também tem chifres.


—————————————–
Por favor, não pensem que tenho algo contra pessoas que fazem redução de estômago. Tenho contra pessoas que não sabem discutir, debater e perceber seus próprios erros. Tenho contra pessoas que se fazem de vítima e aproveitam situações adversas para se esconder e se achar no direito de humilhar outra pessoa. Tenho contra pessoas ignorantes, puxas sacos e sem personalidade própria. tenho contra a babacas que se dizem superiores aos outros. E por último tenho algo contra a todos que julgam o outro sem olhar os dois lados da história. Afinal toda verdade é relativa e toda história sempre é uma faca de dois gumes.





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