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Prosas

Como feijão com arroz…

“Eduardo e Mônica eram nada parecido. Ela era de leão e ele tinha 16. Ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud. E o Eduardo gostava de novela e jogava futebol de botão com seu avô.” Ok. Essa é a música da Legião Urbana, escrita brilhantemente pelo Renato Russo. Mas essa é também a história de mais de um milhão de casais que conheço. ” E quem um dia ira dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem ira dizer que não existe razão?”.
Ela era uma mulher independente, mais velha, formada, de personalidade forte, com uma vida louca e agitada. Ele apenas um rapaz latino americano, adolescente, cheio de incertezas e que ainda tinha tempo para as coisas boas da vida, sem preocupações, sem maldades e sem nem noção do que seria o seu futuro. Com sonhos, planos e vontades mas nada que não pudesse mudar a qualquer momento.
Um dia se encontram. Em uma festa qualquer. Uma festa que poderia ser uma esquina, um bar, uma faculdade, uma escola ou dentro de um coletivo. Ele indo para o colégio ela vindo da faculdade. Enfim o lugar e as conjunturas do encontro não importam. O que realmente interessa é que eles se conhecem. E mesmo sem motivos nenhum trocam olhares, palavras, gestos e pensamentos. E assim aquelas duas pessoas, tão diferentes em seus mundos, de repente transformam um o mundo do outro e passam a coabitar num espaço paralelo criado por eles.
Crescem juntos. Constroem um futuro juntos. Aprendem um com o outro coisas diferentes. Dividem um teto. E assim a vida segue bela, iluminada e feliz mesmo com algumas tempestades. Não importa se a Mônica de nossos relacionamentos usa saia ou calças. Nem se o Eduardo é a Eduarda. No fim a questão é de que todos sempre somos diferentes. Sonhamos com romances e vidas perfeitas e nos fortalecemos com os abalos cósmicos.
E mesmo que no final da história o Eduardo e a Mônica se separem. Aquele capítulo sempre estará gravado em seus corações, marcado na sua carne e rabiscado em sua alma.
Mas Eduardos e Mônicas dificilmente se separam quando se encontram. Porque mesmo como tudo para dar errado, a combinação do arroz e feijão é temperada com o melhor condimento: o respeito.
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Homenagem especial ao meu “Eduardo” que mesmo com tudo diferente, veio mesmo de repente, uma vontade de se ver. E nós dois nos encontramos todos os dias e a vontade sempre cresce como tem que ser. E nós comemoramos juntos e também brigamos juntos muitas vezes depois. Mas todo mundo diz que ele me completa e vice-versa como feijão com arroz. E hoje faz oito anos da primeira vez que nossos olhos se cruzaram! Lindinho, te amo muito e hoje tenho mais certeza disso do que ontem!

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