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Prosas

Mudanças e Adaptações: Uma questão mais que cultural



Mudar é sempre um desafio. A mudança traz medo, necessidade de adaptação e a muita insegurança. Isso é fato e ninguém contesta. Há quem diga que mudar é bom, faz bem e da um ‘up’ especial a vida. Com certeza. Mudar o visual, cortar o cabelo, mudar para uma casa maior, um emprego melhor e até mesmo mudar de um namorado pé no saco para um cheio de amor para dar (até ele também virar o pé no saco). Mas até mesmo essas mudanças, que tem o seu lado positivo, trazem insegurança, medo e são desafiadoras
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Qual a mulher que ao cortar seus cabelos não fica insegura até que alguém especial elogie? E terminar um relacionamento não exige uma grande força de vontade e não dá um medo danado do que virá pela frente? Mudanças são mudanças e sempre geram conseqüências e sentimentos conflituosos.

A adaptação é realmente a pior parte de qualquer mudança. Se adaptar a uma nova vida, um novo emprego, um novo alguém, um novo país, novos hábitos. Se adaptar a um novo seu eu que carrega todas as crendices, certezas, medos e angustias do seu eu velho e que precisa, mesmo assim, se adaptar aquela nova realidade.

Sou uma mulher andante, alguns diriam que sou cigana. Não tenho porto certo. E se estou aqui, amanhã posso não estar. Na hora da partida vem o medo, a alegria, a tristeza e a certeza de que havia me adaptado e ai começamos tudo de novo.

Nessas idas e vindas, mudanças e viagens, descobri que tão difícil quanto eu me adaptar é as pessoas do local se adaptarem comigo também. Olhares desconfiados, preconceito e muitas vezes uma dose de maldade e crueldade em fornecer informações.

Acabamos criando a necessidade de mascarar nossos sentimentos e crenças para conviver com pessoas que não são capazes de se adaptar a novidade. É sempre uma guerra perdida. Afinal é um contra o mundo.
Sou eu sozinha a lutar contra uma nação. Apenas eu a tentar mostrar para toda uma comunidade que o novo, o diferente, o estranho também pode ser normal. Eu perdida em uma nova realidade que não me da muitas possibilidades de crescimento num primeiro momento, mas que depois se desdobram e mil e uma oportunidades.

Jogada em um novo mundo me vejo perplexa e perdida até o novo virar o velho e o velho ser conhecido. E se me sinto assim me pergunto como não se sentem povos inteiros quando são invadidos, escravizados e desmoralizados pelas suas crenças ou raça.

Assim foi com negros, que foram forçados a serem escravos, a deixar sua pátria e se adaptarem a vida européia. Mas eles não mantiveram suas crenças? Claro que sim. Ou se não porque ainda haveríamos de ouvir falar da umbanda, da capoeira ou do preconceito que eles carregam contra o homem branco? Sim porque todo mundo conhece algum negro que seja tão ou mais preconceituoso que um branco.

E os judeus? Que foram escravizados, despatriados, assassinados em massa, repatriados e vivem em guerra por isso. Eles não continuam com suas tradições, casando entre si e acreditando que o filho de Deus ainda virá? Mesmo com todo o sofrimento seguem firme suas crenças.

 Os iranianos que em plena Era Informívera ainda apedrejam mulheres que traem seus maridos? Como julgar se é certo ou errado? Apenas é uma questão cultural. E não existe nada com mais força que a cultura de um povo.

Mas para que irmos tão longe se perto de nós, aqui mesmo, na esquina de nossas casas vemos modelos culturais tão distintos, dependendo da região do Brasil que seja os nossos vizinhos. Gaúchos, paulistas, cariocas, mineiros, paraibanos, amazonenses, cearenses. Todos iguais na nacionalidade, mas totalmente diferentes culturalmente.

Não há como julgar se as minhas, as deles, ou as de outros são as razões, a ética e os conhecimentos certos. A questão é cultural. E cultura passa de geração a geração sem ser questionada, afinal ainda cremos que os velhos são sábios e se são sábios como duvidaremos do que eles dizem?

Já diz o ditado: Política, religião e futebol não se discute. E se não se discute não se julga. E se não se julga apenas se aceita e respeita. Afinal a máxima humana é respeitar uns aos outros, independente de cor, raça, credo, sexo ou classe social.

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Crônica participante do Sexto Desafio de Escritores – Primeira Etapa.




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