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Amada Helena



Quando Helena nasceu, no dia 31 de janeiro de 2012, um sonho se realizava para Tatiana e Giovane. Ambos na faixa dos 30 anos, juntos há 15 anos, moradores de Morungava, zona rural de Gravataí, cidade que faz parte da Grande Porto Alegre no Rio Grande do Sul. A espera de Helena ocorreu tranquila, uma gestação sem nenhum problema. Mesmo em condições simples de vida, compraram o enxoval, decoraram o quartinho e aguardaram o momento de ter nos braços sua princesa. Fizeram filmagens desde o quarto mês da gravidez. Quando ela nasceu, filmaram e fotografaram tudo. Queriam que quando ela crescesse ela soubesse o quanto foi esperada e amada.Helena nasceu de cesariana. E num primeiro momento foi considerada absolutamente saudável. O sonho da maternidade tinha se concretizado com sua filhinha. Helena e os papais foram para sua casa.

No dia 17 de fevereiro, Helena foi arrancada dos braços de seus pais. Faleceu por não conseguir uma vaga numa UTI Neonatal, realidade muito triste desse nosso Brasil e do Sistema Único de Saúde.





Com dez dias de vida ela foi diagnosticada com um problema no coração. Cardiopatia congênita, o que fazia o sangue entrar e sair rapidamente do seu pequeno coração, havia canais que não haviam se fechado totalmente. Foi medicada e recomendado aos pais que se ela vomitasse toda a mamada ou tivesse dor de barriga procurassem o hospital.

Foi o que aconteceu no dia 17 de fevereiro. Quando chegaram ao hospital Dom João Becker, Helena foi examinada e seria preciso uma cirurgia para resolver a situação. Porém para a cirurgia era necessário uma vaga em uma UTI Neonatal. Só que não havia vagas disponíveis.

Enquanto Tatiana cuidava da sua bebê, Giovane corria desesperadamente contra o tempo para salvar sua filha. Buscou uma liminar na justiça para a compra de um leito (infelizmente algo que acontece mais seguido do que deveria no Brasil), mas quando conseguiram foi tarde demais. Helena já havia falecido.

Não tem como descrever a dor de um casal que perde seu filho. Não existe como abandonar o luto. Helena tinha uma vida pela frente que poderia ter se concretizado com uma vaga em uma UTI Neo Natal. Helena cresceria e seria uma menina linda, sapeca e feliz se os exames feitos na maternidade fossem mais profundos e diagnosticassem esse tipo de situação. Helena entraria numa escola e escolheria uma profissão se todos os nossos hospitais fossem bem equipados. Helena teria uma família, um marido, filhos e quem sabe netos, se nossos postos de saúde estivessem preparados para realizar exames mais profundos. Helena teria uma história para contar se as emergências do nosso país não fossem super lotadas. Mas Helena morreu. Helena não vai crescer mais. Helena não vai dar os primeiros passos. Helena não vai dar o primeiro sorriso e nem falar a primeira palavra. Helena morreu.

Da dor e sentimento angustiante de não poder ter feito nada além de rezar para a boa vontade de um juiz, a boa vontade de um médico ou a boa vontade de um hospital, nasceu uma ideia. Tatiana e Giovane resolveram transformar a dor em algo útil. Criaram uma fanpage “Amada Helena” e começaram a entrar em contato com outros pais que sofreram de uma perda tão absurda e irreparável como a deles. Criaram uma petição pública on line e buscam um milhão de assinaturas.

Tatiana se inspirou na lei da ficha limpa, que lembra de ter visto na TV. Ela quer uma milhão de assinaturas para poder entregar para a Presidente Dilma e exigir que nossa lei proteja as crianças e outros pais não passem pelo sofrimento que eles passaram. Ela quer mais UTI’s Neonatais espalhadas pelo país, com mais leitos disponíveis para que não seja preciso ir atrás de um juiz para garantir um atendimento que está em nossa constituição. “Todos tem direito a saúde e tratamento adequado e de qualidade”.

O que eu quero? Quero que você leia, compartilhe, assine e ajude a conseguir esse um milhão. Quero que você se coloque no lugar da Tatiana e do Giovane por apenas um segundo, e tente, só tente, imaginar o sofrimento de perder seu bebê. Talvez não seja possível, pois a dor é imensurável.

Poderia ser eu, poderia ser você. Poderia ser nossos filhos. Mas foi Helena.

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