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Prosas

Quando o cansaço invade

Tem dias que o cansaço bate. Quem tem filho pequeno, totalmente dependente, sabe bem disso. Apesar de ninguém quase admitir, mãe é um ser humano e cansa sim. Cansa, se irrita, perde a cabeça e perde a linha e não sabe o que fazer. No universo cor de rosa da maternidade ninguém fala que ser mãe é ultrapassar seus limites, até chegar ao seu extremo e encontrar uma forma de sorrir e deixar tudo de lado. Muitas dizem que basta ver o filhote sorrindo que tudo passa.

Eu não acredito nisso. Ou melhor, para mim isso não funciona. Quando estou no meu extremo limite, nada me faz encontrar a paz de espiríto a não ser dormir. E dormir, também é artigo de luxo na vida de uma mãe. Mesmo no meu caso, que o PH dorme lá pelas 9 da noite até o outro dia pelas 7:30. Primeiro porque a gente nunca dorme ao mesmo tempo que eles. Segundo porque mesmo que ele acorde e tire mais uma sonequinha nosso sono já foi para o espaço e terceiro porque sempre se tem muita coisa para fazer.

Quem é mãe em tempo integral, por opção, vocação ou falta de opção, sabe que além do bebê, tem a casa, a comida, a vida para organizar. E a rotina pesa. E parece que o dia sempre é pequeno para tudo que se deve e quer fazer. Sim, porque tem uma diferença muito grande entre dever fazer e querer fazer. Eu, por exemplo, faço milhares de coisas durante o dia que tenho que fazer para a vida seguir organizada aqui em casa. Acorda cedo, da a mamadeira pro bebê, troca a fralda, coloca ele no berço para mais uma sonequinha, coloca a roupa na “maria” pra ela bater, descasca legumes, coloca para cozinhar, prepara a fruta do bebê (opa! preciso tomar café da manhã), arruma as camas, passa vassoura na casa. O bebê acordou, da a fruta pra ele, brinca com ele, coloca ele para olhar a “Galinha Pintadinha”, faz o almoço pro outro bebê grande, serve o almoço pra todos, da almoço pro bebê, troca a fralda, coloca ele pra tirar uma soneca, arruma a cozinha (opa! esqueci de almoçar). O bebê acordou, troca a fralda, brinca com ele (tem que pendurar a roupa que a “maria” bateu). Da mamadeira pro bebê, coloca ele pra tirar uma soneca, termina de arrumar a casa. recolhe a roupa, bebê acordou. Brinca com ele. Da a janta pra ele, faz janta pra todo mundo, serve a janta, arruma a cozinha (esqueci de jantar novamente), da banho no bebê, mamadeira, conta uma histórinha, coloca ele pra dormir. Ufa! Hora de dormir! Mas e o livro que eu queria ler? E a minha sobrancelha que parece mais uma taturana? E as roupas para passar? E aquele filme que eu queria olhar? “Quem sabe amanhã”, a gente pensa mas parece que o amanhã nunca chega.

E ainda tem gente que diz que é fácil passar o dia todo dentro de casa e não sabe do que a mãe de casa tanto reclama. No meu caso estou em casa por falta de opção, sou jornalista e estou morando numa cidade de 20 mil habitantes onde não consegui emprego. Curto muito ficar com o PH em período integral, já que com a Duda eu precisava estudar e não tinha essa possibilidade. Mas eu queria sim trabalhar fora, queria poder me arrumar todo o dia para trabalhar, vivenciar um outro mundo e voltar para casa cheia de saudades. Admiro muito as mães por vocação, aquelas que se dedicam e se entregam 24 horas para seus rebentos e fazem isso por opção.

A rotina de quem trabalha fora também é absurdamente puxada, afinal, algumas, fazem tudo que eu faço e ainda trabalham fora. Mas o fato de ter aquelas horas em outro universo, que não o da maternidade, pode servir como terapia ocupacional. Ainda mais quando elas trabalham no que gostam.

Mas enfim, voltando ao cansaço e a estar no limite extremo, me questiono o que eu poderia fazer para desopilar (dormir por umas 48 horas seguidas, seria o meu sonho de consumo no momento). A questão é que é preciso muito jogo de cintura para não pirar de vez, não ter um surto e jogar tudo pro alto. É preciso encontrar uma válvula de escape, que não seja o chocolate, se não a gente vira uma bola, e que supra todas as nossas necessidades pessoais. Sim! Mães também tem necessidades pessoais! Aqui em casa, tentei instituir o “dia da mamãe”. Normalmente um domingo, em que quem acorda é o pai e quem deveria fazer tudo o dia todo é o papai. Mas o “dia da mamãe” só funciona até a hora que eu acordo, um pouquinho mais tarde que o costume. 

Estou ainda procurando minha válvula de escape, a terapia ocupaconal, o jeito de entrar no universo cor de rosa e não sair mais de lá. Se alguém tiver alguma sugestão, eu aceito! Por enquanto, sigo no limite, mantendo a rotina do lar e tentando dividir um pouco disso com vocês. É frustrante chegar no final do texto e não achar a receita mágica, mas a verdade é que não existe fada madrinha, receita pronta ou manual de instruções (apesar de que sou da teoria que todo bebê deveria vir acompanhado de um e de botões de liga e desliga) e cada uma de nós precisa achar a sua fórmula de resolver as coisas. Agora deixa eu correr que o bebê acordou!

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