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Prosas

Quanto estão lhe pagando para desistir dos seus sonhos?

Quanto estão lhe pagando para você desistir dos seus sonhos? A pergunta do filme Amor sem Escalas tem rodando minha mente nos últimos dias. No filme, George Clooney ganha a vida demitindo pessoas e em um determinado momento, quando está demitindo um funcionário ele questiona “quanto estão lhe pagando para você desistir dos seus sonhos?”

E eu me pergunto: quanto estão me pagando para eu desistir dos meus? Eu queria ser escritora, queria viver produzindo colunas, livros, novelas. Sonhava em ver uma história minha virar filme. Eu queria dar aulas na universidade, conviver com jovens, poder trocar experiências sobre o jornalismo e mudar o mundo. Quanto estão me pagando para eu desistir dos meus sonhos?
Me pagam bem. Eu diria que melhor do que eu imaginava. Mas não o proporcional as horas mal dormidas, ao stress, a falta de descanso ou a falta de paz. Viramos escravos do trabalho com a desculpa de que ganhamos bem e fazemos o que gostamos. Fazemos realmente o que gostamos? Porque o lugar que ocupo hoje, profissionalmente, nada tem a ver com os sonhos que eu abandonei.
Na relação entre o que você quer ser quando crescer e você cresceu e tem que pagar o aluguel, o aluguel sempre vence. E sem nos darmos conta, antes do sonho, pagamos o aluguel, a prestação do carro, a faculdade, a conta de água, luz, telefone, internet e o sonho vai ficando cada mais longe, distante, se perdendo em um abismo gigante chamado realidade. E quanto mais pagamos, mais queremos, mais consumimos, mais trabalhamos, mais longe ficamos daquilo que realmente a gente queria. Passamos a galopar na velocidade da luz em busca de mais e esquecemos porque estamos galopando. 
Eu queria voltar a escrever. Penso nisso todos os dias da minha vida. Na hora de dormir ideias borbulham na minha cabeça, mas me lembro que no dia seguinte tem alguma reunião, algum problema esperando e as ideias se desmancham. E a vontade de fazer o que eu realmente queria da lugar a necessidade de pagar a prestação da casa no final do mês. Mas meu sonho, segue ali, esperando a sua vez de ter asas esperando sua chance de aparecer na minha rotina, de se tornar parte de mim. E eu vou dormir pensando nele e nas contas no final do mês.

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