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EM.PA.TIA – Substantivo feminino pouco praticado

EM.PA.TIA, substantivo feminino.

1. faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
2. capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
Do dicionário informal: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. 
Lus.: Capacidade de se identificar com outra pessoa; faculdade de compreender emocionalmente outra pessoa.
De em+phatos(Gr)+ia(estado de alma)

Empatia. Está em alta. Pelo menos a palavra. Tem sido usada em vários sites, rodas de amigos, redes sociais. Pregada em campanhas. Está em falta no mercado. Parece um tipo de droga, daquelas raras de se achar nas farmácias.  A tal empatia, promete milagres. Iguais aqueles comerciais antigos de coscarque que prometia emagrecer rápido e de forma natural, sem esforço. Mas não sei bem porque eu só ouço falar. Ou melhor, só leio ela, sendo empregada em frases bonitas. Mas na prática? Na prática é outra história. E na maioria dos casos é mais apatia e antipatia. 
EM.PA.TIA. Capacidade de se colocar no lugar do outro. Não do irmão, da melhor amiga ou da sua prima. Do outro. Daquele que você não curte tanto assim. Não convive. Não conhece. Daquele que é completamente diferente de você. Aquele que viveu uma história completamente oposta a sua. Aquele que você julga. Que você crucifica. A pessoa que você condena. Empatia. 
Me colocar no lugar que quem eu gosto é fácil. É obvio que vou sentir as dores dos meus amigos e chorar o pranto dos meus amores. Não existe nenhum dúvidas que defenderei com unhas e dentes os meus. Que serei capaz das coisas mais absurdas para salvar os que me rodeiam. Não, isso não é empatia. Sinto muito avisar, amiguinho. Isso é amor. 
Mas empatia é amor! Sim, empatia é amor. Mas não pelo que eu já amo. Sabe aquele cara, que deixou umas lições bacanas pra caralho pra todo mundo? Quer dizer, nem todo mundo, pois tem os que não acreditam nele e nas suas histórias e ensinamentos. Mas que mais ou menos 2.4 bilhões de pessoas no mundo acreditam. Isso! Jesus! Então Jesus pregava o amor. Obviamente, qualquer um que já foi a uma missa, leu a bíblia, ou até mesmo só viu os filmes que passam na época da Páscoa, entendem isso. Mas não era esse amor que a gente está acostumado. Ele pregava, principalmente, a empatia. Sabe aquela parábola que todo mundo conhece e repete “Atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Então, gente. Ele convidava as pessoas a se colocarem no lugar da Maria Madalena, antes de julgar. BINGO! Empatia!
Então, voltando a questão da empatia. Eu vejo muitos lugares, pessoas, manifestações falando sobre essa tal empatia. Mas e ai? Falar é bonito. Chega a dar esperança e vontade de crer na humanidade novamente. De tanto que está na moda falar de empatia, de respeito, de tolerância e de amor eu pego meu celular e leio no facebook “Mais amor sem favor”, “Respeite o outro”, “#somostodos…”e chego na rua e vejo as pessoas julgando umas as outras. Escuto conversas chamando de “viadinho”, “sapata”, “putinha”, “marginal” e milhares de adjetivos, que nem deveriam ser chamados de adjetivos, uma vez que adjetivo significa qualidade.
Ela foi estuprada. “Merecia! Tu viu o jeito que ela se comportava? As roupas que usava? Queria o que andando na rua sozinha de madrugada?”. Se nem o filho do homem todo poderoso do Universo, julgou a prostituta, quem é você para julgar as roupas/jeitos/hábitos de alguém? Você já se colocou, por um segundo que seja, no lugar dessa pessoa? Você conhece a história, suas dores, medos, crenças, sua trajetória? EM.PA.TIA.
E esse é só um exemplo. Mas a gente pode aplicar isso em coisas mais cotidianas e menos dolorosas. Aquela pessoa que faz uma barbeiragem no trânsito, te da uma fechada e tenta se desculpar. Como você responde? “Puta, cadela, cretina. Não sabe dirigir não pega o carro!”. É. Eu sei. Da até vergonha lendo assim. Mas atira a primeira pedra quem nunca reagiu desse jeito. E se ao invés de responder com tanto ódio no coração, a gente, apenas se colocasse no lugar daquela pessoa e perguntasse “você está bem?”. Aplicasse a tal da empatia. Porque eu não sei. E nem você. Mas pode ter acontecido n situações para que aquele motorista tenha perdido a atenção. Talvez ele esteja com tantos problemas e submerso em  complicações que tenha se distraído no trânsito. E se você aplicar a empatia você pode mudar o dia dele. E o seu também. 
EM.PA.TIA do dicionário informal: ato de se colocar no lugar do outro e sentir suas dores. Das redes sociais: palavra da moda, muito usada. Da vida cotidiana: Pouco utilizada. EM.PA.TIA. substantivo feminino. Mas que deve ser usada por todos. Praticada em todos os momentos. E  estudada como filosofia de vida. EM.PA.TIA. energia que você deve mandar para o universo para colher na sua vida. Não porque está na moda. Não porque é legal. Não porque todo mundo está falando nisso. Não porque é politicamente correto. EM.PA.TIA porque você quer ser uma pessoa melhor. Quer morar num mundo melhor e porque você acredita que se colocar no lugar do outro é o único jeito da gente realmente ter amor, respeito, tolerância e uma vida mais feliz. EM.PA.TIA se colocar no lugar do outro, sentir suas dores, chorar seu pranto, conhecer sua história e não julgar suas escolhas ou anseios. EM.PA.TIA ver o mundo pelos olhos de quem você julga e não pelo reflexo que você faz nos olhos dele. 

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