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Prosas

Eu posso ser…

Eu nunca me considerei bonita. Tão pouco gostosa. Nunca me vi como sexy. E enquanto todas as garotas do colégio sabiam se vestir eu gostava das roupas confortáveis. Nunca fui vaidosa e nem dava bola se eu era magra. Tão pouco eu fui a mais inteligente da classe. Não queria ser a CDF ou a nerd. Apesar de me dar bem com esse grupo.
Eu sempre fiz a linha aventureira, parceira, festeira. A engraçada, a misteriosa, com as melhores histórias. Sempre fui um zero à esquerda nas aulas de matemática e nunca gostei de gramática. Levei bomba em física e química e até hoje entendo pouco dos reinos animal e vegetal.  Eu gostava de ler e de redação. Ponto final literalmente. Eu era a amiga. Sempre fui. De todos os garotos legais.  Aquelas que eles pediam conselho, perguntavam das meninas e pediam pra “fazer a ponte”. 
E eu criei essa imagem de mim mesma e mantive ela assim por muito tempo. E quem disse que eu não me apaixonei inúmeras vezes pelos meninos legais? Quem disse que eu não fantasiei, como em milhares de livros que eu lia, que um dia eles percebiam que a melhor garota era eu? Mas eu cresci. E mantive a minha máscara de menina descolada.
Mesmo no início da vida adulta eu ainda era a melhor amiga. A melhor amiga das minhas paixões. E eu sofri com isso. Demais. E eu não queria ser mais vista como a amiga. Eu queria ser desejada. Queria que os homens me notassem, mas não sabia como fazer isso. Então eu dançava. 
Eu criei um rótulo para mim mesma, para me proteger da minha baixa auto estima. E ele funcionou tão bem que demorei décadas para me dar conta do quanto ele me fez mal. Quem disse que eu não sou bonita? Não sou gostosa ou sexy? Quem falou que eu não era a mais inteligente da turma? Quem me bloqueou a vaidade? Eu. Eu e os significados que eu mesma dei para a minha vida.
Eu demorei 35 anos para aprender a me maquiar. Nunca aprendi a andar de salto, mas já sei me vestir melhor. Eu demorei todo esse tempo para perceber que eu sou muito mais que a amiga legal. Que eu tenho uma série de atributos físicos e mentais que fazem de mim a pessoa mais bonita e inteligente do universo. Demorei todo esse tempo para entender o significado de auto estima e entender que a única inimiga dela sou eu mesma. E hoje eu me perdoo por isso. E hoje eu sei que eu posso ser o que eu quiser.

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