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E se eu te der a mão?

De repente eu estou no chão. Completamente destruída. Você me destruiu sem ao menos me dar sinais de que isso poderia acontecer. Foi assim, rápido e certeiro e eu já estava lá, quebrada, tentando encaixar os pedaços que se estilhaçaram na queda. Eu não previa. Você não previa. Não foi premeditado. Só aconteceu. O que eu faço depois disso? Como eu levanto, ergo a cabeça e olho em frente novamente?
Eu sei que as marcas que carrego das guerras que travei te encantam. Não deveriam, são elas que me deixaram ser assim, uma pessoa que tem mais medos e amarguras do que boas recordações. Elas te seduzem, fazem você querer me abraçar. Mas eu não quero seus abraços por isso. Eu prefiro ser a pessoa que eu queria ser do que ser a que você descobriu. E ai agora que você me enxerga por inteiro, mesmo vendo todas as sombras que escurecem os meus dias, mesmo sabendo que eu não sou quem você pensava, você estende a mão e procura me acalentar. Mas eu estou no chão e não sei como me levantar.

Eu queria ser a pessoa sorridente que você imagina. A pessoa profunda, extremamente simpática e fácil de conversar, linda, provocativa, que tem um tesão de outro mundo e se importa com as pessoas que você descreve. Mas essa não sou eu. Isso é o que você quer enxergar em mim. Eu sou aquela outra, que te fez ficar uma noite de chuva inteira acordado porque estava com medo. Que queria morrer na semana passada porque tava chateada, que fica neurótica se não correr ou movimentar o corpo quando acorda porque não consegue lidar com a sua própria existência, que tem mais cicatrizes e feridas do que você pode imaginar que alguém aguentaria. Eu sou a pessoa que você quer cuidar porque você conhece todos esses lados tristes. Você não teria como se apaixonar por quem eu sou. Você só pode se apaixonar por quem você enxerga. Até eu me apaixonaria. Mas essa é uma imagem que você construiu de mim o que não faz com que eu seja assim na realidade. 
Então mesmo contrariando todas as possibilidades, você se apaixona por mim e me destrói. Me destrói porque eu não estou pronta pra isso. Eu não estou pronta pra ser quem você precisa que eu seja. E eu não consigo entender porque você se apaixona por quem eu sou. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seus braços prontos para me aparar, mas eu tenho medo. Muito medo. Eu quero pegar a sua mão, me aconchegar no seu abraço e deixar sua boca acalmar meu corpo sedento por você. Mas eu tenho medo. São tantas feridas ainda abertas. Eu quero ser quem você acha que eu sou, mas olho para os lados e penso que se eu te der a mão qualquer caminho que a gente siga, nos leva para um final onde alguém sai muito machucado.

Eu tenho que escolher entre meu medo e minha alma sóbria e sua mão estendida, seu sorriso que colore meu dia, suas palavras fáceis que me fazem enxergar o quanto as coisas poderiam ser diferentes. Não seria egoísmo meu deixar você ficar? Ta certo que ninguém te convidou a entrar e que você foi arrombando todas as portas e trancas e se instalou ali, dentro de mim, do meu corpo, da minha mente, do meu coração. E eu preciso escolher. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seu sorriso quase apreensivo mostra que você também te medo. Seus olhos brilhando me dizem que confia em mim, confia em nós. Eu te dou a mão e a energia que emana das nossas mãos unidas me dão esperança de que é possível ser feliz de novo.

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