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Prosas

Jogue limpo sempre!

Umas das coisas que mais me incomoda no ser humano é a mania de menosprezar tudo que antecedeu a ele. O exemplo mais comum disso é na política (apesar de que esse texto não tem nada de político). Entra governo e sai governo, tudo que o antecessor fez, se for de partidos opostos, foi ruim. Então tudo é desconstruído e depois construído com as mesma essência e outros nomes.  
O problema é que não é só na política que isso acontece. É em toda e qualquer situação em que colocamos o antecessor como ameaça.  A necessidade de ser superior ao outro junto com o fato de que sempre queremos ser os melhores, nos coloca nessa situação e, se não cuidarmos, acabando praticando isso sem o menor pudor.

“Nossa sua ex namorada cortava suas unhas do pé? Eu corto, lixo, esfolio e ainda faço massagem no seu pé”. Ok! Peguei pesado. Mas a teoria é essa. Eu preciso ser melhor que a ex então em vez de cortar as unhas do pé ou simplesmente dizer que isso é nojento pra caramba  a gente precisa superar a ameaça e nos sujeitamos aquilo. (desculpa quem corta as unhas do pé do namorado mas eu tenho nojinho assim como não lavo cueca também. Até a intimidade precisa de um limite.)
Passei por uma situação profissional recentemente que me fez perceber o quanto as pessoas necessitam disso. Elas não conseguem ser honestas a ponto de dizer “olha eu quero o cargo dela porque acho que posso fazer melhor” ou “seu trabalho é bom, mas tenho sugestões incríveis que quero colocar em pratica então por isso almejo o seu lugar”. Talvez essa pessoa realmente seja melhor do que você e possa exercer a sua função de uma forma mais eficiente. Mas ela já perdeu todos os pontos de partida quando para construir no seu lugar precisa desconstruir tudo o que você fez. 
Assim vi algo que formatei ser totalmente desconfigurado e perder o rumo. E isso baseado em mentiras, em meias verdades, em manipulação de ideias e informações. Não foi fácil. Foi bem triste e me jogou num buraco negro que por algum tempo pensei que não ia sair. Mas eu saí. Sai e percebi que, no final, aquilo me fez mais bem do que mal porque eu me reencontrei com um eu que já estava cansado demais pra tentar reagir e que eu tinha deixado para trás em alguma gaveta da minha memória. 
E hoje mesmo ficando, às vezes, com muita raiva de tudo que aconteceu, eu estou muito mais feliz do que estava naquela posição. Eu voltei a ser eu mesma, a ter tempo para mim, a ouvir mais meu coração, a dormir melhor e principalmente a fazer o que eu quero. Fortaleceu em mim um sentimento que eu já tinha de ouvir mais, criticar menos e buscar soluções. Me fez crescer e ter certeza que eu não quero e nem preciso desse tipo de coisa na minha vida. 
Quanto a pessoa que ocupou o meu lugar, no fundo, eu um dia espero que ela me peça desculpas, mesmo que seja pra ela mesma no seu travesseiro, por tudo que precisou fazer para chegar lá. Sei que não está sendo fácil e que a cada dia seu mundo desmorona um pouco. Sei que já está pagando um preço alto por desconstruir o que eu havia feito e não saber como colocar as peças na engrenagem agora. Eu só desejo que ela supere, me peça desculpas e consiga ser melhor do que eu na posição, porque como pessoa, como ser humano, eu sei que ela nunca chegará aos meus pés. E como eu tenho tanta certeza disso? Pelo que ela precisou fazer para chegar lá. 
Então o que eu posso dizer com o que eu aprendi? Posso garantir que se a gente almeja alguma coisa, a gente busca, corre atrás e usa do nosso potencial pra atingir sem precisar passar por cima de ninguém, mentir ou difamar outra pessoa. Jogar limpo é a melhor forma de descer pro play, porque de outras formas o universo vai cobrar caro de você. 

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