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Prosas

O silêncio do fim

A gente terminou no silêncio. Sabe aquela coisa meio assim …” então tá, a gente se fala”  e nunca mais se falou? Foi isso. 
Eu não falei mais porque achei que estava incomodando. Deixei a bola quicando pra ver se você fazia o gol. E você não falou… eu suponho que porque não quis. 
Foi um dia, mais um e mais um. Até que virou uma semana, um mês um ano. Nos primeiros dias eu olhava a toda hora o celular pra ter certeza que você não tinha enviado nada. 
Depois eu passei a esquecer, só olhava quando lembrava pra ter certeza que você não estava lá. E agora às vezes dói. E aí eu penso.
Eu tive vontade de perguntar “você desistiu de mim?”, mas controlei a minha ansiedade, respeitei o seu silêncio e segui em frente. O que mais eu poderia fazer?
De certa forma foi um alívio todo o silêncio. Seria difícil admitir que não passaríamos dos lençóis. Seria sofrido falar que não havia futuro pra nós. Que nossos universos não iriam se unir, apenas colidir causando uma catástrofe sobrenatural. 
Nossos silêncios falaram mais do que qualquer palavra. Deixaram um gosto amargo na boca. Deixaram uma saudade de algo que não aconteceu. Mas principalmente falaram de sentimentos que não podemos sentir.

A gente precisou do silêncio porque a gente não podia falar o que realmente sentia. A gente se acostumou com ele porque as palavras doeriam. A gente preferiu o silêncio porque mais nada nos restava e antes ele do que as lágrimas. 

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