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Causos

Um encontro com a água

Ele sentia a mesma sensação que sentiu 20 anos antes ali na beira daquele lago. Como era possível? Na época, achou que havia sido sonho, coisa de quem tinha tomado birita demais, mas agora estava totalmente sóbrio. Não era possível que fosse efeito de algum entorpecente.

– Se você realmente existe deixe eu lhe ver! Eu preciso saber que não foi um sonho e que você existe

Colocou os pés na beira da água e mais uma vez suplicou:

– Deixe eu lhe ver! Preciso de você! Nunca mais senti em minha vida o que senti naquela noite.

As águas começaram a se movimentar e ele percebeu que na outra margem, alguém parecia-lhe observar.

Apesar de achar que era um sonho, lembrava exatamente o que havia acontecido naquele mesmo local. Um gozo com tanto êxtase que nenhuma mulher que ele amou conseguiu proporcionar.

Avançou lentamente pelo lago até que a água cobriu suas partes íntimas.

– Mais… Eu lhe quero por inteiro – Um sussurro soprou em sua orelha e um arrepiou-lhe percorreu o corpo inteiro.

Apesar da temperatura gelada do lago, quase a sensação de estar dentro de uma geladeira, sentia todo seu corpo completamente rijo e latejante. Avançou lentamente e então começou a boiar.

– De costas – Outro sussurro – Quero sentir seu corpo em minhas águas – Disse a voz feminina que lhe seduzia – Por que demorou tanto tempo a voltar? Pensei que não gostasses de mim…

Quando ele pensou em responder, sentiu aquelas mãos lhe acariciando o corpo. Beijando lentamente, cada pedaço de pele que existia nele.

– Deixe-me te ver… – Suplicou como um gemido.

As mãos percorriam todo o seu corpo, o toque macio da água e aquela sensação de estar sendo tomado por todos os lados foi-lhe excitando cada vez mais. Então sentiu-a percorrendo a boca gélida em seu tronco, subindo e descendo, fazendo movimentos circulares até que foi totalmente envolvido. Gemeu de prazer e implorou por ela.

– Por favor, preciso te ver!

Enquanto ela o acariciava com uma das mãos, acelerando cada vez mais os movimentos, a outra percorria os braços e a boca cobria os lábios dele, ela foi se formando, dos movimentos do vento no lago, ela tomou forma e o encarou.

– Estou aqui. Abra os olhos.

Ele estava descrente do que via. Não podia ser verdade. Ela era formada de água. Seu olhos reluziam a lua, seu corpo transparente, cheio de curvas, fazia com que enxergasse a outra margem. Suas curvas bem desenhadas, remetiam as ondas de um oceano, que se movimentava cada vez mais rápido enquanto se entregava a ele.

Quando sussurrou no ouvido dele de prazer, se contorcendo e arqueando, seu corpo se desfez, com uma chuva de pingos coloridos e desformes para todos os lados.

Ele acordou com o sol batendo em seu rosto na margem do lago. Deitado, sem roupas e com a mesma sensação de 20 anos antes, sem os entorpecentes da época. Teria sonhado? Não tinha certeza. Mas voltaria ao lago para outra noite de prazer.

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16 comments
  1. Jennifer Silva

    Ainn que demais! No começo, achei que ela iria levá-lo para debaixo da água haha! Adorei o conto, envolvente e ao mesmo tempo sensual! Pena que ele ainda acabou ficando confuso se o que ele presenciara havia sido um sonho. Bjss!

  2. Ana Paula Lima

    Oiii!!

    Eu tô virando sua fã a cada post. Sua escrita está cada vez melhor (agora que acompanho sempre consigo comparar os posts) e nesse está extremamente envolvente. Tomara que não seja sonho.

    Beijinhos

  3. Beta Oliveira

    Oie! Que texto estranho… – mas no bom sentido: aquele que escapa ao padrão que você conhece – e instigante – porque você precisa saber como termina.
    Obrigada pela experiência. Abraços!

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