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Causos

Memórias

Em uma mala velha guardo minhas recordações. São fotografias antigas, bilhetes rasgados, papeis de bala, de chocolate, ingressos de cinema, de shows. Contas de restaurantes. São pedaços de uma vida que um dia foi minha. Foi nossa. Existem flores secas, desenhos e até um rótulo de vinho gravado com nosso nome. É um pedaço da gente, de mim, de ti, de nós.

Não são memórias aleatórias. São desejos que não se cumpriram, são vontades realizadas. São histórias que quero lembrar para sempre, mesmo se o pra sempre acabe. São fotografias de dias felizes e tristes também. É tudo que eu sou, que eu fui, que eu serei. Não existe limite para as lembranças dentro da mala velha. Sempre cabe algo novo, mesmo que antigo.

Eu não me desfaço da minha mala. Seria como limpar um HD cheio de histórias ou perder a memória. Sacrilégio, eu diria. Seria como me esquecer de você. Impossível. Se metade de mim não lembrar de tudo que aconteceu, a mala me lembrará. Se um dia, por algum motivo, eu não tiver mais teu cheiro, ele lá estará.

Sou feita dessas lembranças. Sou feita das cicatrizes da vida. Sou feita do teu amor. Sou feita de tudo que vivi, de tudo que sonhei, de tudo que me recordo e de tudo que senti. Sou feita de sorrisos, dos meus, dos teus, dos nossos. De fotografias mal tiradas que guardam bem mais que imagens. Que guardam a mim. A ti. A nós.

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16 comments
  1. Thamires

    Sempre achei engraçado como a maioria das pessoas guardam objetos significativos como uma lembrança, papel de bala ou um bilhete de cinema. Apesar de entender o por que, eu simplesmente não consigo fazer o mesmo! Você começa a ter apego a coisas e vai guardando como se quisesse eternizar um momento que pessoalmente prefiro guardar em minhas lembranças ou fotos. Essas mesmas coisas podem criar “um peso” na sua vida quando você se apega mais a ela do que ao que você vive atualmente.

    memoriasdeumaleitora.com.br

    1. Luísa Aranha

      Verdade Thamires,

      Eu sou muito apegada as minhas agendas da adolescência. Nunca consegui me desfazer delas e é o meu jeito de conservar minhas memórias… Algumas histórias delas estão em um livro que vou lançar em breve!

      Bjos

  2. Manoel Alves

    Olá
    Primeiramente quero dizer que a cada texto que leio nesse blog, eu me apaixono cada vez mais kkj. Enfim, falar de memórias nem sempre é confortante para todos, mas se faz necessário, lindas palavras. Até mais ver
    Bjs

  3. Anastacia

    Oie, tudo bem!? ahhhh hoje o texto falou super comigo. apesar de eu não guardar “coisas” como lembranças eu coloco minhas lembranças nos livros e nas músicas.
    Tem livros que quando pego sei exatamente o que vivi naquele período, o que sentia e o que queria.
    As Músicas a mesma coisa, ouço e vejo os momentos, sejam especiais ou doloridos, mas sempre me voltam, inevitavelmente.
    Nossa alma é assim, feita de lembranças, memórias e momentos.
    Adorei o texto Luisa
    bjs

  4. Naylane Sartor

    Oie! Tudo bem?

    Algumas malas de lembranças eu gostaria muito de me desfazer mas ainda não fui capaz, outras por outro lado levo comigo nas memórias e em pequenas coisas como ingressos, fotos etc, tudo guardado com amor e carinho!

    BJss

  5. Joanice Oliveira

    Olá lindona,

    Eu sou muito independente emocionalmente e consigo me desapegar das pessoas rapidamente, mas não é assim com lembranças boas e gostosas de virar tirando do “baú” mental, porque são parte de mim e da história e devem ser guardadas com algo que traga a lembrança a todo momento que eu a veja.

    Beijos!

  6. Paulo Rafael Botter Franco

    Mais uma história que toca o coração, passei por um perrengue em um relacionamento e confesso que está difícil tacar fogo nas cartas e nas memórias que ainda pairam na minha mente. Mas você mandou super bem, deixa nós leitores com aquela sensação de paz e reflexão em seus textos.

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