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Causos

Amor apesar da guerra

Ele se aproximou devagar. Não queria assusta-la. Depois de tanto tempo afastados, no mínimo seria estranho que chegasse de supetão. Ela não o esperava, isso era um fato. Talvez achasse que estivesse morto ou que a esquecera. Mas nunca faria isso. Nem morrer, nem a esquecer.

Corria o risco contrário. Ela poderia ter se livrado de todas as recordações e encontrado um novo amor. Quem saberia? A vida da voltas, os encontros ocorrem. E os desencontros também. Ele só precisava ter certeza. Se fosse isso, assumiria a sua responsabilidade e desaparecia novamente. Dessa vez para sempre. Desaparecer era uma de suas melhores habilidades.

Não sabia explicar o por quê de seu desaparecimento. Nem lembrava quando foi que parou de telefonar. A única certeza que possuía é que, todos os dias, seus primeiros e últimos pensamentos eram dela. Eram nela. Eram por ela. E se conseguiu sobreviver, as coisas que via, os tiros trocados e os perigos sofridos, era por ela.

Talvez, pensando assim, lembraria que foi por ela também que desapareceu. Em algum momento, daquela guerra sem motivos, perdeu as esperanças sobre seu findamento.  Perdeu a fé nos homens que lhe comandavam. E nos que comandava também. Perdeu o respeito pela vida. Por qualquer vida.  Sentiu-se indigno de qualquer tipo de sentimento. Não podia fazer com que ela sofresse depois. Então, resolveu antecipar o sofrimento.

Mas a guerra acabou. Ou pelo menos para ele acabou. Não era um desertor, só não mais era um soldado. Pediu baixa das trincheiras e resolveu lutar por algo que acreditava e que nada mais tinha a ver com poder e conquista. Agora lutaria pela vida, lutaria por ela se fosse preciso e lutaria para findar todas as guerras.

Homens acreditam que a arma erguida lhes confere soberania. Que a terra conquistada lhes da poder, que a morte de outro vale se for para o bem maior. O bem maior de quem? Tudo que acreditou durante a vida, não fazia mais sentido. Descobrirá, enquanto uma bomba explodia seus companheiros ao seu lado, que a maior conquista de um homem era a mulher amada.

Por isso voltara. Aproximava-se devagar. Não sabia quais palavras usar. Elas seriam necessárias e ele sempre foi o homem das armas. Palavras se resumiam a sim, senhor e comandos de manobras, para destruir o inimigo.

Deus não falha aqueles que pedem sua segunda chance. As mãos do destino fizeram com que ela virasse o rosto em sua direção. Ele parou. Congelado em seu lugar, sentindo algo queimar por dentro, mas incapaz de descongela-lo por fora. Ela sorriu. Sorriu e correu. Correu e chorou. Chorou e caiu em seus braços. Caiu em seus braços e o encarou. E quando os olhos se encontraram, as palavras não foram necessárias. Os crimes de guerra perdoados. E a nova batalha estava traçada. Mas a única conquista que lhe interessava era o coração e curvas da mulher amada.

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10 comments
  1. Jennifer Silva

    Que conto maravilhosoo! Era como se eu estivesse lá e presenciasse o encontro do casal, me envolvi tanto que não consegui conter as lágrimas haha. Parabéns, arrasou como sempre Luisa! <3

  2. Paloma Machado

    Oie, tudo bem?

    Adorei fazer a leitura desse conto, adorei a escrita e fiquei com um sorriso ao ler esse conto e também com os olhos cheio lágrimas. Parabéns ♥

  3. Joanice Oliveira

    Olá linda,

    Adorei essa mistura de esperança, fé, perdão e amor, porque mostra que a vida também é uma guerra diária e que se relacionar muitas vezes requer todos os sentimentos citados anteriormente.

    Beijos!

  4. Maria Ferreira

    Olá.
    Achei o conto de uma grande sensibilidade e certamente me fez relembrar dos meus próprios sentimentos, das relações que já tive, mas hoje em dia não passam de lembranças.
    Abraços.

  5. Paulo Rafael Botter Franco

    Texto impecável, você coloca um sentimento absoluto incrível nas palavras, seus textos são ricos e belos. Sempre no final da leitura, fico e paro um pouco pra pensar na vida e nas coisas que você disse em palavras, parabéns!

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