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Prosas

Sua dor dói em mim

Das coisas que aprendi na vida, a mais difícil foi aceitar que a dor que é provocada em ti, reflete em mim. Eu tentei, por vezes fingi, neguei, fiquei alheia, fiz pouco caso, mas não evitei. Lá no fundo, onde só nós enxergamos, suas dores me causavam desconforto.

Então tentei assumir. Tornar publico, dizer para o mundo, a plenos pulmões, que eu realmente sentia, me importava, queria estancar seu sangue para aliviar o meu peito. E fui chacoteada. Virei motivo de piada, porque dizer que eu sentia tanto quanto você, nesse mundo em que o umbigo vale ouro e a vantagem é a moeda de troca, eu era apenas uma otária.

Guardei para mim minha dor, que era sua, mas refletia em mim. Pensei, refleti, procurei respostas onde não sabia o que encontrar. Mas eu queria entender, porque diante de tanta dor, outros não sentiam, não amavam, não se importavam. Eu fui em busca de um sentimento que, depois de certo tempo, entendi, que o ser humano estava desabilitado a sentir. Empatia.

Não foi fácil entender que entre tantos bilhões de pessoas, poucas  nascem com esse gen. Mas felizmente não foi impossível perceber, depois de realmente entender, que eu não era a única a sentir. Que outras pessoas ainda se importavam, que outros corações também sangravam pela sua dor.

Pouco importa se a sociedade te considera um louco, te enquadra em um lado político, diz que você é trouxa. Também não me interessa se eu coloco o outro em primeiro lugar algumas vezes e muito menos que a recompensa seja um sorriso, mesmo que seja apenas meu.

Entre tantas vacinas que a medicina ainda precisa inventar, uma delas devia ser contra a apatia. Ou um composto, contra a apatia, egoísmo e necessidade de levar vantagem. Por sorte hoje me vejo cercada de pessoas que se preocupam pelo próximo, mas somos uma parcela ainda pequena, diante da vastidão de gente. Porque é mais fácil fingir que o outro não existe do que se colocar no lugar dele. Ao mesmo que é difícil dormir a noite sabendo que o outro sangra quando você está confortável em sua cama quente. Mas no final das contas, eu durmo em paz, porque sei que ao dividir o meu cobertor, esquentei a sua pele fria.

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Valeu, Universo! será lançado no dia 03 de setembro ás 17h, no stand da Editorial Hope na Bienal do Livro do Rio de Janeiro! Espero vocês lá! E quem quiser garantir o seu exemplar pode comprar pelo site da editora!

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10 comments
  1. Beta Oliveira

    Empatia é um trem difícil de se sentir e de se manter em um mundo de egolatria cada vez maior. Belas palavras e quem dera que muito mais pessoas pudessem fazer isso aqui: “no final das contas, eu durmo em paz, porque sei que ao dividir o meu cobertor, esquentei a sua pele fria”. Abraços!

  2. Manoel Alves

    Olá
    A parte da vacina contra apatia, super apoio rsrs. Acho seus textos fantásticos e isso não é nenhuma novidade. Dos que já li esse foi o mais complexo, gostei muito e continue assim. Até mais ver
    Bjs

  3. Porre de Leitura e Livros

    Oi, Tudo bom?
    Eu amei seu texto, porque realmente esse é um aprendizado difícil, muitas vezes não percebemos que o mal que cometemos volta e reflete em nos.
    Parabéns amei o post.
    beijos, Joyce de Freitas

  4. Gaby Marques

    A apatia é um mal que precisa ser erradicado, assim como tantas doenças. Quando a gente compartilha com o próximo, o mínimo que seja, estamos fazendo algo, contribuindo, nos colocando no lugar do outro e fazendo o possível por eles. Adorei o texto, Luisa!
    Beijos

  5. tamara padilha

    Oie, adorei o post. suas reflexões são sempre muito boas e trazem coisas com as quais nos identificamos. Realmente, o ser humano hoje em dia demonstra muito egoísmo mas ainda tem aqueles que sentem a dor dos outros e são solidários.

  6. Ana Paula Lima

    Oiii

    Eu acho lindo quando podemos refletir e pensar sobre nossas atitudes enquanto estamos passando em blogs amigos. Gostei da leveza do seu texto!

    Beijinhos,

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