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Prosas

Setembro amarelo

Da vida que finda, da vida que fica, da vida que consome, que sufoca, que foge. Da vida que esmaga, da dor que exala, da morte que não para. De tudo que é sombrio mesmo com luz, de tudo que se espera e não se alcança. De tudo que maltrata, machuca, assola. Da vida que escapa.

Da alma que se perde. Das tristezas que não se mede. Da solidão que é presente no amanhecer. Da cama sempre vazia, do peito sempre apertado, do amor sempre negado.

De tudo que mata, que entristece, que destrói. Do sorriso falso, dos tapas nas costas, das mentiras deslavadas. Da podridão. Dos cheiros fétidos, das falsas amizades, das desigualdades, dos descasos, dos maus tratos, das humilhações, do desespero. Do pavor, do pânico, da desgraça. Do nada. Do tudo. De todos.

Em cada gesto, em cada olhar, em cada toque, sorriso ou fala. Em cada lugar, na rua, em casa, no trabalho e na escola. Nos hospitais, asilos, abrigos, em todos os países. Em cada continente. No mundo. No universo, na via láctea e em outros planetas. Em qualquer hora, momento, minuto ou segundo. Num piscar de olhos. No respirar. Na medida mais mínima do tempo.

De todos os sentimentos… em todos os sentimentos, em qualquer pessoa, homem ou mulher, adulto ou criança, a falta de olhar o outro, não ver, mas enxergar é que o mais ceifa vidas.

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Porque não dava para deixar de falar sobre depressão e suicídio aqui onde falamos de amor. Prestar atenção no outro é o maior ato de amor. Precisamos falar sobre suicídio. Se você se identificou com esse texto procure o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 144 e converse com um atendente.

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 Enquanto vive as últimas 24 horas de sua vida, Maria Rita passei por seu passado e ao buscar o nada ela encontrou tudo.  AVISO DE GATILHO: Violência contra a mulher.

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3 comments
  1. Carla

    Oie!
    Que lindo!
    É um assunto que devemos falar a todos os momentos, e não apenas em setembro. É algo tão delicado que deveria ser tratado sempre.
    Muito lindo!
    Bjks!
    Histórias sem Fim

  2. Kamila Villarreal

    Olá!

    Lindo texto, mas que também funciona como aviso. Acho que fico feliz, já que não me vi nele, mas creio que, se eu estivesse em outro momento, talvez me visse. Obrigada pelo texto!

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