Loading...
Causos

Um furacão com nome de mulher

Quando eu percebi nossa história toda havia sido apagada. Das redes sociais, da vida, das memórias. Nada parecia fazer sentido. Da tarde pra noite o mundo desmoronou na minha cabeça, tudo virou pó e restou a dor intensa de quem não entende da onde o tiro veio.

Eu fiquei em pedaços. Devastada por um furacão com nome de mulher. Mas mais ainda pela fragilidade do abrigo que sempre considerei seguro.

Não foi a tormenta. Não foi a traição. Não foi o furacão. Foram as palavras duras. A necessidade urgente de cortar completamente cada elo de ligação. Como se uma década não fosse nada. Como se tudo tivesse sempre sido uma mentira constante.

E dói acreditar. Dói entender. Dói aceitar que tudo que existia se esvaziou assim. Porque não é da noite pro dia. Porque não foi falado, conversado. Porque simplesmente parece que nunca existiu.

Estamos sorrindo e fazendo planos em um dia e no outro chorando como se houvesse um velório. O enterro de uma família, de muitos planos e sonhos. O velório da cumplicidade. O enterro dramático do amor.

E agora a distância é exigida. Exigida por quem te abandona. Mesmo que você precise de apoio. Parece que existe raiva, que existe rancor, da parte que não deveria. Quer dizer que passamos a ser dois desconhecidos? Ou que a pessoa que foi a vítima é a culpada. A culpa de não ser avisada ou seria a culpa pela culpa que o outro sente e não admite?

Agora toda a culpa é minha. Você não fez isso, você não fez aquilo, você vive num mundo dos sonhos, você isso. E você? E quando foi que essa pessoa covarde surgiu e meteu os pés pela mão? E quando foi que você desistiu. Porque eu me lembro. Me lembro de cada minuto, de cada segundo e de quantas vezes foi você a fugir.

Mas ninguém aponta o dedo e pergunta  e você por que não falou? E você por que não investiu? E você por que não incentivou?

Talvez eu tenha culpas, mas de todas as que me atribui não carrego nenhuma. A minha culpa foi acreditar, confiar e me entregar, em todas as formas e sentidos pra uma pessoa que nunca soube valorizar os sacrifícios que eu fiz e que foram sua culpa. A minha culpa foi ter sempre colocado em primeiro lugar o amor, a cumplicidade, o outro, não a mim. A minha culpa foi amar. Foi acreditar que isso bastaria. A minha culpa foi confiar, foi abrir a minha casa, a minha vida. A minha culpa foi deixar que o furacão entrasse pela porta da frente.

Mas em um mundo onde ser de verdade, do bem e confiar no outro é sinônimo de ser trouxa, em uma realidade onde jogar sujo parece ser recompensado, eu ainda escolho acreditar no amor. Porque meu sorriso ninguém me tira. E um dia, eu ainda serei eu. E você será o resto do que um dia foi.

Você também pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *